Diversa, Arte e Cultura

A Diversa, Arte e Cultura - Organização Sociocultural - foi criada em 13 de dezembro de 2012 pela e para a comunidade LGBTI+, principalmente para preservar a memória da comunidade por meio de processos coletivos e participativos.

Diversa, Arte e Cultura

 

Seu principal objetivo é proteger o patrimônio material e imaterial da diversidade sexual, como acervos pessoais, institucionais e de movimento que atravessam e compõem a trajetória da comunidade no Brasil. Gerenciado por pessoas LGBTI+, sob seus cuidados está uma das maiores coleções de arte feitas pela comunidade LGBTI+ no Brasil, composta por mais de 6.000 itens físicos e aproximadamente 60.000 itens digitais. Esta coleção é composta por diferentes tipologias e alberga várias peças de protagonistas como a artista, escritora e cantora, Cláudia Wonder; fotógrafo Pedro Stephan; da editora Laura Bacellar; e organizações de grande relevância como a Associação Paulista da Parada do Orgulho GLBT, entre outras.
Diversa também visa visibilizar e inserir, no amplo contexto da cultura, as práticas, criações e experiências desenvolvidas a partir do universo “QUEER”, buscando contribuir para o processo de sensibilização da sociedade em relação às especificidades das pessoas com orientações sexuais, identidades e expressões de gênero dissidentes da maioria.
Outro foco de atuação é garantir o acesso e a fruição da produção cultural da comunidade LGBTI+, promover o respeito à diversidade e a cultura de paz. Nossa organização se baseia em três eixos norteadores: ativismo, educação e cultura, como estratégia para atingir seu principal objetivo, que é colaborar com a inclusão e cidadania da população LGBTI+.

Diversa, Arte e Cultura participated in the creation of the Museum of Sexual Diversity (MDS), the first space in Latin America on the subject. Thus, Diversa and MDS exists simultaneously and naturally, as a result of their common objectives, establishing a fruitful relationship in the construction of a set of joint actions and activities in line with their missions.

In June 2015, the joint campaign with the MDS and Metro (São Paulo subway company) “Voices against homophobia”, exposed posters with photos of entertainment celebrities in more than 10 stations of the São Paulo subway. The photographs featured artists completing the phrase “Homophobia is…” to celebrate International LGBTI+ Pride Day. The campaign had great repercussion in the media, giving visibility to discussions about discrimination and violence against the LGBTI+ population.

Another joint action with the MDS was "Mostra Diversa", created with the aim of giving space and visibility to LGBT+ artists and/or works that addressed the issue of dissident sexualities, selected through a public notice. In partnership with MDS since 2015, the show has already presented 3 editions (2015, 2017 and 2019). In 2021, due to the COVID pandemic, its execution was not possible.

LGBTIphobia 

Pessoas com orientações sexuais, identidades de gênero e expressões que discordam da maioria da população têm sido sistematicamente, ao longo da história, marginalizadas e excluídas da vida social. Dos pecadores aos enfermos, daí aos criminosos, era preciso esconder e silenciar suas vozes, para que não sofressem violências que pudessem resultar em sua morte, destino de muitos. No Brasil, a história não foi diferente e hoje, segundo o Relatório do Grupo Gay da Bahia (GGB), este é o país que mais mata LGBTI+ no mundo. Em 2019, a cada 26 horas, uma pessoa lésbica, gay, bissexual ou transgênero morreu por crime de ódio no país.
Atos violentos contra LGBTs são rotina no Brasil. Desde a internação em manicômios no século passado, perseguições sistemáticas, como a "Operação Tarântula", na década de 1980, até casos como o de Luana Barbosa dos Reis, 34 anos, mãe, negra, pobre e lésbica, que morreu após ser brutalmente agredida por pelo menos seis policiais na rua onde ela morava, em Ribeirão Preto (SP), ou o adolescente Itaberlly Lozano, assassinado pela própria mãe. Além disso, em 2017, Dandara dos Santos, mulher transexual, foi covardemente torturada e morta em Fortaleza (CE), e a publicação do vídeo da violência nas redes sociais causou indignação e comoção. Mais recentemente, Keron Ravach, de 13 anos, foi espancado até a morte no Ceará, tornando-se a vítima mais jovem da história, segundo monitoramento realizado há 4 anos pela Antra, Associação de Mulheres Trans e Travestis do Brasil. Esses são apenas alguns exemplos da cruel realidade da violência LGBTfóbica no Brasil.
Essa discriminação e violência resulta da tentativa de impor normas, regras e dogmas considerados "normais", institucionalizados por meio da promoção da religião e de setores conservadores da sociedade, em relação a comportamentos, expressões e práticas sexuais consideradas "inadequadas", uma vez que há pessoas que não concordam com essas quadraturas e, para sobreviver, acabam reprimindo suas sexualidades e afetos. Para aqueles para quem essa alternativa não é viável, o aumento dos níveis de violência é impressionante.

A heteronormatividade e o cisgenerismo compulsório, e sua consequente discriminação contra a população LGBTI+, também desencadeiam processos excludentes que resultam na invisibilidade de sua memória, história, produção cultural e sociopolítica. Essa lógica precisa ser interrompida, urgentemente. Assim, em resumo, as nossas principais áreas de atuação são:


- Preservar a memória da população LGBTI+
- Estimular, promover e incluir artistas LGBTI+ e sua produção cultural
- Promover a cultura da paz e a educação em direitos humanos, especialmente para combater a violência e a discriminação contra pessoas LGBTI+.